
A "Semana Santa" foi dedicada à mim - ou seja: fazer nada e nada fazer! Simplesmente busquei ficar em casa e ver tv. Um simples prazer da vida...
Foi então que buquei o horário do filme e o assisti.
O que dizer do filme?
O filme "Babel" é o terceiro filme de narrativas do Alejandro González Iñárritu ("Amores Brutos" e "21 gramas" anteriores) em que as 4 narrativas são contadas de forma que se entrelaçam. O filme não tem uma seqüencia cronológica que estamos acostumados. As histórias pessoais e particulares acabam interferindo e afetando outras histórias.
A história dos meninos marroquinos afetam diretamente a história de duas crianças norte americanas (Mike e Debbie). E essas histórias se chocam com a adolescente japonesa e seu drama pessoal, familiar.
As histórias se entrelaçam, porém as formas de vidas são antagônicas, dispares e inquietantes. A angústia nos atormenta, ao fim e ao cabo, pela história de vidas e ainda mais pelas histórias de violações vividas por seres humanos.
Os meninos marroquinos vivem isolados, desejam e sonham como qualquer pré-adolescente. Os desejos e alibidos, confrantados com o desejo de ser querido e amado, estão presentes como em qualquer jovem. Porém onde e como vivem? Quais as perspectivas? Quais as alternativas e escolhas daquela individualidade?
Aqui assumo meu olhar etnocentrico e meu grito, no peito, para aqueles dois jovens estivessem na escola e não cuidando das cabras da família. A minha angústia era para que ali tivesse uma escolha, uma bendita escolha... A escolha ali se dará, ao meu ver, pelo rompimento de um estilo de vida.
Imediatamente penso na turista que acidentalmente é atingida por uma bala. A vida daquela mulher é atingida e não pela bala, mas por seu drama de vida... A viagem ao Marrosco é uma fuga, uma oportunidade de olhar a vida e ter novas escolhas. Talvez olhar a vida que não quero ter e viver. Ver aquela vida ordinária e agradecer pela vida que se tem. E que vida é essa?
Não falo de emprego, casa prória, carro(s) e empregos. Digo de dignidade, de direitos efetivos e a vida que se opta, que se pode optar. O confronto dos meninos marroquinos, que iniciam a vida, em relação a mulher que já vivia a sua vida e que pode ter um recomeço e inúmeros recomeços....
... mas a vida pode parecer ser sentindo, apesar de tantas escolhas que se pode fazer, frente a vida do pequeno filho (Sammuel) que foi perdida em seus braços.
As histórias e dramas pessoais frente aos conflitos de polícias que agridem e desrespeitam se apresentam assim da lei e da ordem. Ou sendo "a lei e a ordem". A lei é para quem? Não vamos nos enganar pensando (e respondendo) que a lei é para todos. Afinal vivemos (e assistimos) diariamente pessoas violações de direitos e vidas que são simplesmente usurpadas o direito de viver...
O grito, neste instante, volta em meu peito! A questão de nossas vidas são as escolhas... O quê e como vivemos viver. E será que o Estado (brasileiro, norte-americano, marroquinho, etc etc etc) concede à todos os seus cidadãos o direito de fazer escolhas? Será que todos temos as mesmas opções?!?!?!?
Será que é inocência minha?!?!?! Será que o desejo de viver em um mundo justo é irreal? O que podemos... O que se pode fazer para que todos UNIVERSALMENTE possamos viver dignamente???
As respostas soam de forma tão simples para mim e possível...
O homem é sujeito histórico e não falo simplesmente da história pessoal, individual, e sim da história da nação, das nações, da humanidade.
Como pode haver uma felicidade real em meio a tantas injustiças??
Priscila Chagas