quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
[ extático da aurora.


Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.


2 comentários:

citadinokane disse...

pRI,
Sou viciado no poetinha, ajuda a sobreviver num mar de mediocridade.
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Priscila,
Percebi que o teu blog virou um zumbi.
Um amigo mandou-me o seguinte recado e quero compartilhar contigo: "Mesmo que esteja muito ocupado, você deve sempre arranjar tempo para fazer alguém se sentir importante"(Mary Kay Ash).

abraços,
Pedro