segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Processo democrático, participação popular e afirmação de direitos.

O texto, abaixo postado, é fruto da reflexão de uma redação sobre voto nulo e indignção. Bem... texto pronto, texto postado.
beijos, Pri


Processo democrático, participação popular e afirmação de direitos.

Fico feliz ao ler uma redação, um crônica, um relato que destaque a posição de pensamento de alguém. Interessante perceber o quanto às pessoas pensam e refletem sobre a realidade que vive e identifique a importância das suas vidas e do processo político do país. Contudo foi impossível deixar de responder e simplesmente, após ler, não pontuar algumas discordâncias entre o meu e o seu pensamento.
Ressalto, inicialmente, que as pessoas são individualidades e por isso pensam e agem de forma diferente. Isso é realmente importante e, poderia afirmar, que é fundamental. Porém o debate de ideias e o diálogo nos fazem crescer e fortalecer nossas ideias, ou mesmo nos possibilitam mudá-las. O ponto não é convencer e sim dialogar. Preâmbulo apresentado, que o debate inicie!
A democracia que significa a participação da população nos processos políticos é muito antiga na história da humanidade e teve como berço a Grécia (antiga). Alguns filósofos, muito conhecidos nossos, eram incentivadores da democracia, da participação dos cidadãos nas decisões da cidade. Naquela época a cidadania era exercida por cada cidadão, em praça pública, decidiam sobre as ações e direções que a cidade deveria tomar. Não podemos esquecer que era outro modelo de cidadania e outros eram os parâmetros para ser um cidadão. Afinal só eram cidadãos os homens, acima de 30 anos, com posse de terra. As mulheres não eram consideradas cidadãs, por exemplo. E ainda os escravos, na escala social, tinham mais direitos que a mulher, pois vinham antes na estrutura social.
Pensar no modelo social grego requer pensar e repensar nas questões específicas daquela sociedade. Repensar costumes e valores, pois em nossa sociedade não é mais admitida à escravidão e a mulher tem seus direitos reconhecidos e assegurados.
O Brasil é um país que tem como regime político a democracia. Vivemos em um Estado de Direitos, pois temos o direito de opinar, apresentar ideias, nos indignar e decidir de forma direta. É cidadão brasileiro todo aquele que nasce em território nacional e tem o seu registro de nascimento reconhecido pelo Estado. Sendo cidadão é pessoa de direitos. Direito a escola, moradia, segurança e saúde.
É obrigação do Estado prover a saúde, a segurança e a educação para todos! Provedor das mínimas condições para o exercício de cidadania. Contudo em nosso processo histórico fomos mal barateados. Sofremos violência de direitos, durante a Ditadura. Fomos roubados entre Fernando Collor, Juiz Nicolau, PC Farias e inúmeros outros. Sofremos ainda o processo de anti-Reforma Agrária no Governo do Fernando Henrique Cardoso. Tivemos nossas empresas vendidas e nossa riqueza repartida com outros países. Vivemos em um estado mínimo, pois mínima é a condição de vida oferecida e mínimas são as condições oferecidas para todo cidadão brasileiro.
Não sejamos ingênuos, pois vivemos numa sociedade burguesa desde a Revolução Francesa e a Industrial. O burguês é aquele que detêm o modo de produção, o capital de investimento e a forma de exploração do proletário. O proletário o simples cidadão que todo mês vende a sua força de trabalho em troca de salário. Salário este que não é justo, pois algumas das suas horas não são remuneradas. Infelizmente, neste pequeno texto que se agiganta, preciso ser sucinta.
O importante a se destacar é que vivemos em uma sociedade burguesa e por isso uma sociedade de classes sociais. Ainda vivemos divididos entre burgueses e proletários, e com isso alguns possuem mais acesso e conhecido dos direitos que os outros. Temos diferentes formas de acessar aos meus direitos. Temos sim direitos iguais para todos, contudo temos pontos de partidas diferenciados.
Por tudo isso não consigo compreender quando nos isentamos de votar. Preferimos adotar a posição política de nos abster. Opto por me abster desta sujeira que é a vida política brasileira simples por não votar. E não isentamos também da força da população em se rebelar. Estou também me abstendo da força da mudança. Estou aqui cruzando os meus braços por não concordar com o modelo e por “limpar minhas mãos” deixando, desta forma, o barco correr. Lembro que Pôncios Pilatos também se isentou e optou por deixar os outros decidirem e agirem.
Votar nulo é se anular. É abster e compactuar com os erros. O voto é uma opção de mudança.

Priscila Chagas

Um comentário:

citadinokane disse...

Pri,
Não votei nulo, votei com vontade.
bjs,
Pedro